O Nascimento de um Pai
O Nascimento de um Pai Se fosse outro pai a me contar, confesso: eu não acreditaria. Diria que é exagero de pai estreante, desses que andam por aí vendo poesia até em fralda suja. Mas me escuta… me dá esse crédito. Meu primeiro filho tinha acabado de nascer. Vieram logo os parabéns — “É um menininho!” — como se a masculinidade do rebento fosse troféu. Mas, sinceramente? Eu não dava a mínima pra isso. Era minha cria. Minha. Como se, naquele instante de encantamento, ele não fosse também filho daquela mulher maravilhosa que, exausta e luminosa, ainda nem saíra da sala de parto. Estávamos ali no corredor da maternidade, em frente ao aquário dos recém-nascidos. A plateia era curiosa: eu, o avô, um amigo do avô e o futuro padrinho — todos de queixo caído, olhos úmidos. Então ela apareceu: a enfermeira, do lado de lá do vidro, como uma mestre de cerimônias a nos apresentar um monumento. E ali estava ele, meu charutinho de gente, sendo estreado para o mundo como quem di...
